Música e Mídia—uma nova área do conhecimento

Ainda que não constitua uma linguagem universal, a música se encontra presente na imensa maioria das culturas. Trate-se da música composta para ser executada em situações rituais, trate-se da chamada música pura (ou absoluta), destinada à sala de concertos, a música demonstra ter sempre exercido papel importante nas diversas sociedades.

Na cultura de tradição européia, sobretudo a partir do final do século XIX, as modalidades de linguagem musical passaram a desdobrar-se em outras variantes, constituindo linguagens específicas. Isto se deve ao surgimento dos aparelhos que possibilitaram a captação, fixação, amplificação e transmissão do som à distância.

De fato, o surgimento do disco e do rádio, promoveria mudanças de natureza tal que transformariam o século XX num momento ímpar, em todos os tempos: pela primeira vez, na história, tornou-se possível o armazenamento do som no tempo e no espaço. É o momento em que surgem, sucessivamente as canções populares urbanas, o rock, os “jingles” publicitários, a trilha sonora do rádio e da telenovela, do filme; ainda, os temas de abertura de programas no rádio, cinema e televisão.

Esta nova paisagem sonora passa a compor, paulatinamente, a trilha sonora da vida das pessoas, em praticamente todas as situações rotineiras. Dito de outro modo, a música que passa pelas mídias constrói a cultura de uma vida cotidiana; reciprocamente, as práticas musicais da vida cotidiana também selecionam os elementos musicais que fixam os repertórios como memória cultural (a médio prazo e na longa duração). Assim, é possível concluir-se que música é informação; e, como tal, música é (também) cultura.

É importante enfatizar que todo um século de música mediatizada gerou um repertório vastíssimo, que ainda não está totalmente organizado. Parte dele encontra-se esparso e outro segmento enclausurou-se em recônditos às vezes inatingíveis, como certas coleções particulares e acervos raros.

De outra parte, a fonofixação (gravação) no disco, fez potencializar o caráter comercial dos signos musicais, sobretudo a canção. De poderoso pivô do centro de poder econômico até a derrocada do sistema, quase um século após o surgimento das “majors”, a música não se fixa mais sobre suportes materiais “palpáveis” e “visíveis”, ao adentrar o mundo telemático.

O século XXI irrompe com o crescimento das formas híbridas nas linguagens artísticas e formas expressivas cada vez mais complexas de pensamento, oriundas de uma cultura digital. No entanto, ao que parece, o legado do mundo da tecnologia analógica ainda não foi suficientemente assimilado teórica e culturalmente. As pesquisas do MusiMid têm, dentro de suas preocupações, estudar a presença, a função e a participação da música nesse universo.