O ritmo como ícone primordial

Autores

  • Lúcia Santaella Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Palavras-chave:

qualissigno-icônico-remático, sonoridade, ritmo, cognição

Resumo

Este artigo traz de volta a teoria das matrizes da linguagem e pensamento -- sonora, visual e verbal -- com ênfase especial na matriz sonora para nela situar a questão do ritmo. As matrizes estão fundadas na fenomenologia e semiótica peircianas de modo que cada matriz encontra sua correspondência em uma dentre as principais classes de signos elaboradas por Peirce. Assim, a sonoridade corresponderia ao qualissigno-icônico-remático, a visualidade ao sinssigno-indicial-dicente e o verbal ao legissigno-simbólico-argumental. A partir disso, o artigo focaliza as modalidades de linguagem que decorrem da matriz sonora. O propósito é caracterizar o ritmo como manifestação mais radical do qualissigno-icônico remático e seu papel organizador primordial no nascedouro de toda e qualquer linguagem. Tal postulação encontra respaldo na teoria evolutiva da cognição humana, em que, já na longínqua era do Homo Erectus, o ritmo emergiu para o exercício desse papel.

Referências

Borges, Jorge Luis. 1964. “Um Lector”. In Obras completas. Buenos Aires: Emecé Editores.

______. 1976. “La supersticiosa etica del lector”. In Discusión. Madrid: Alianza Editorial.

Callado, Antonio. 1994. “Rubem Fonseca busca o sonho de Wagner”. Folha de São Paulo, September 10.

Donald, Merlin. 1991. The origins of modern mind: Three stages in the evolution of culture and cognition. Cambridge, Mass: Harvard University Press.

Martinez, José Luiz. 1991. Música e semiótica. Um estudo sobre a questão da representação na linguagem musical. MA thesis. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

______. 1996. Icons in music: A Peircean rationale. Semiotica 110 (1,2), 57-86.

Santaella, Lucia. 2001. Matrizes da linguagem e pensamento: Sonora, visual, verbal. São Paulo: Iluminuras.

Publicado

2020-05-15

Edição

Seção

Dossiê - Sobre a significação musical