Chamada para o dossiê "Canção popular e audiovisual: latitudes contemporâneas" (v. 1, n. 3, 2020)

2020-09-13

Alinhado com o recente giro cancionista  no campo dos estudos sobre cinema,  manifesto em importantes obras autorais, coletâneas e artigos que conformam uma zona de reflexão em flagrante expansão nas últimas duas décadas, este dossiê pretende reunir artigos, ensaios, entrevistas e resenhas sobre as dinâmicas expressivas da canção popular no audiovisual.  Em consonância com a tradição interdisciplinar dos estudos sobre a música dos filmes, aceitam-se propostas que examinem aspectos da canção popular aplicada em filmes ficcionais e documentais, ficções seriadas, programas de TV, peças publicitárias e de propaganda, performances e outras produções audiovisuais, discutidas a partir de seus aspectos estéticos, poéticos, históricos, culturais, sociais, tecnológicos, ideológicos e políticos.

Entendemos que, tal como sugerem estudos recentes, canções populares, via de regra, estabelecem um jogo intertextual e intermedial que tende a afetar os espectadores de obras audiovisuais com uma carga simbólica previamente adquirida, com a “ameaça imediata da História”, como disse Anahid Kassabian no livro Hearing film: tracking identifications in contemporary Hollywood film music..  Como mobilizadores de memórias e afetos individuais e coletivos, de nostalgias e utopias, as canções constituem um ambiente propício para discussões sobre representações e processos de formação de identidades étnicas, sociais, culturais e nacionais. Isso implica um modo particular de engajamento do espectador com a obra audiovisual, distinto daquele produzido pela tradição “clássica” de uso de música instrumental-orquestral em filmes.

Sob essa perspectiva, dá-se preferencia, mas não exclusivamente, a pesquisas sobre o estatuto da canção popular no audiovisual latino-americano e africano contemporâneos e a investigações que reflitam sobre o modo como  a canção popular vem operando, nas obras, como trincheiras simbólicas da resistência contra a colonização da escuta e do olhar. Da mesma forma, privilegia-se análises de obras e fenômenos contemporâneos, mas sem descartar pesquisas atuais que lancem novas abordagens e metodologias de análise sobre manifestações do passado.