PROJETOS

CONCLUÍDOS

Canção d´Além-Mar

O fado estabeleceu raízes no Brasil por intermédio de uma ponte imaginária que ligava as duas margens do Atlântico. Como um exemplo vivo, porém carente de documentação, o gênero oferecia-se como uma possibilidade privilegiada de análise empírica. Santos, a mais portuguesa das cidades brasileiras, mereceria ser estudada com cuidado e atenção. A publicação do livro demandou uma abordagem múltipla que permitisse compreender não apenas como se desenvolveu o fado na vida da cidade, mas também em que medida a cidade deu vida ao fado. Foi necessário, logo de início, deslindar o processo de urbanização e os movimentos de imigração (nomeadamente o lusitano), além das próprias músicas que se praticavam durante todo o século XX. Ademais, a história do fado em Santos é a história de uma escuta, sobretudo radiofônica: o período em que o maior número de imigrantes se fixou na cidade coincide com o apogeu do rádio como mídia dominante.

Resultados: livro, escrito pelos participantes do MusiMid e convidados; um documentário e um hipertexto, contendo informações acerca do gênero musical lisboeta que encontrou raízes na cidade de Santos (São Paulo). Este projeto foi concluído em setembro de 2009.


Canção d' Além - Mar: O fado e a cidade de Santos

Embora o fado seja considerado o cartão-postal sonoro lisboeta, ele nasceu no Brasil como dança, no século XVIII, para territorializar-se em Portugal como canção, no final do século XIX. Canção nômade, o fado estabeleceu raízes no Brasil nas primeiras décadas do século XX, criando uma ponte imaginária que liga os portugueses ao seu país de origem. O Brasil foi também o local onde artistas portugueses gravaram seus discos (o primeiro disco de Amália Rodrigues, por exemplo, foi gravado em 1945, no Rio de Janeiro). Inversamente, no final do século XX, brasileiros imigraram para Portugal, enquanto portugueses e lusodescendentes voltaram ao seu país, mas não necessariamente em caráter definitivo. Pode-se imaginar que esse vaivém de pessoas implique um nomadismo no gênero musical. Contudo, um dado permanece como verdade estatística: o maior contingente populacional de estrangeiros na cidade de Santos é de origem portuguesa, sendo esta a cidade que abriga, proporcionalmente, o maior número de imigrantes portugueses no país. Um estudo enfocando a presença da música portuguesa na cidade e, em particular, do fado, contribuiu para um conhecimento mais aprofundado sobre temas como: de que forma se processa o mecanismo de movência (Zumthor), de maneira a sustentar a permanência desse gênero musical? Como se dão as relações entre recepção, gosto estético e hábitos de escuta? Por quais mediações ou negociações os ouvintes atribuem sentidos às canções escutadas? E, por fim, quais os vínculos entre o imaginário da terra de origem em uma época em que as fronteiras são dissolvidas pela predominância de uma cultura global, sustentada pelas majors e grandes corporações?

Canção d’Além-Mar: O fado e a cidade de Santos

Heloísa de A. Duarte Valente (0rg.). Santos: Realejo/ CNPq,2008. ISBN 978-8599905104

Resultados: livro, escrito pelos participantes do MusiMid e convidados; um documentário e um hipertexto, contendo informações acerca do gênero musical lisboeta que encontrou raízes na cidade de Santos (São Paulo). Este projeto foi concluído em setembro de 2009.


Canção d’Além-Mar: o fado, na cidade de Santos – pela voz de seus protagonistas.

O documentário reuniu, inicialmente, depoimentos dos “protagonistas”: os fadistas Manoel Joaquim Ramos, Lídia Miguez, Cléia Trindade, Cleide de Abreu Dobarrio, Marly Gonçalves e André Batista; o violonista e luthier Fernando Azevedo Costa; os guitarristas José Joaquim de Sousa e Mário Ruy; a embaixadora do fado Luci dos Santos; o radialista Luciano Duarte; Nélia Silva, atriz que participou de projeto artístico sobre poesia e música portuguesa; Gil Nuno Vaz, compositor e filho de fadista; e Alcino Taveira, músico amador e proprietário d’A Tasca. Participaram ainda: o historiador, vereador e ex-secretário da cultura de Santos Reinaldo Lopes Martins; Luiz Abílio Alves, participante ativo de várias agremiações culturais portuguesas em Santos e na Baixada Santista; e Achille Picchi, músico, regente, compositor e estudioso da música luso-brasileira. O roteiro e a montagem inicial foram realizados por Heloísa Valente e Susana Ventura. Posteriormente, o projeto contou com a colaboração do documentarista Eduardo Teixeira, que dirigiu toda a parte técnica, roteirização e edição. Destaca-se, também, a música original de Gil Nuno Vaz e o fado Barco Fantasma, de Ivan Lins e Vítor Martins. Ambas as peças foram arranjadas por Alexandre Matis, Gabriel Henrique e Marcos Santos — estudantes de música integrados neste trabalho — e interpretadas, respectivamente, pela cantora lírica Simei Paes e pela fadista Marly Gonçalves.

Pletora Filmes, 2008, 56 minutos;
Entrevistas e argumento: Heloísa Valente Roteiro e entrevistas: Marcela Prado Paiva, Heloísa de A. Duarte Valente, Susana Ramos Ventura.

Direção e produção: Eduardo A. Teixeira e Heloísa Valente


Canção d’Além-Mar: o fado, na cidade de Santos – sua gente, seus lugares.

Conhecido como a canção de Lisboa, o fado atravessou o oceano, o tempo e a geografia. Santos, cidade atlântica cortada pelo Trópico de Capricórnio, é uma das mais antigas do Brasil, fundada ainda no século XVI. A presença portuguesa exibe marcas profundas, e o fado é uma delas, instalando-se, sobretudo, na Vila Matias — o “bairro fadista” da cidade. Manoel Joaquim Ramos, português de nascimento e luso-brasileiro por opção, sempre esteve ligado à cultura portuguesa, sobretudo à música e ao fado castiço. Teve uma das mais extensas atuações no rádio, onde ingressou aos treze anos de idade e onde, aliás, conheceu Lídia Miguez, sua companheira de vida e de trabalho desde 1941.

Este hipertexto é a terceira parte do projeto iniciado com o documentário Canção d’Além-Mar: o fado na cidade de Santos, pela voz de seus protagonistas e com o livro Canção d’Além-Mar: o fado e a cidade de Santos, também publicado pela editora Realejo. Aqui, a presença do fado na cidade é contada em viva-voz pelos radialistas, apoiada em fotografias e na reprodução do Acervo Pessoal Manoel Ramos e Lídia Miguez.

Heloísa de A. Duarte Valente (org.) Santos: Realejo/ FAPESP, 2009. hipertexto.


Una musica dolce suonava...: memória e nomadismo na canção ítalo-paulistana

Este projeto estudou canções de origem italiana e sua presença e repercussão junto à comunidade de imigrantes e ítalo-descendentes na capital paulista. Reitera-se aqui o ponto de partida: o conceito de "canção das mídias" como elemento ativo e de forte presença na cultura. Em sua transformação contínua, ou "nomadismo", a canção expressa, informa, corrobora e apresenta traços da cultura à qual faz referência e se vincula. Tendo como base inicial o repertório discográfico difundido em programas de rádio selecionados, além de depoimentos, foram analisados os seguintes aspectos: 1) As relações entre audiência e memória, a partir do repertório executado nos programas radiofônicos; 2) O impacto da permanência de artistas divulgadores da canção de origem italiana e o surgimento de vertentes ítalo-brasileiras nas mídias locais; 3) As canções tradicionais de origem italiana como elemento constituinte das histórias de vida e do cotidiano do imigrante italiano no Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo; 4) O repertório da música italiana que foi incorporado à paisagem sonora paulistana e paulista por intermédio do rádio e, posteriormente, da televisão.

Resultado principal: videodocumentário contendo depoimentos de memorialistas, artistas, produtores, radialistas e críticos musicais, recriando a paisagem sonora paulistana desde a década de 1930.

O sole mio: música italiana na tetra da garoa. Direção: Pedro Miguez.
Entrevistados: Luiz George Olivier Toni, Luiz Gustavo Petri, Julio Medaglia, Achille Picchi, Mafalda Minnozzi, Tony Angeli, Dick Danello, Jether Garotti Jr, Irineu Guerrini, Sergio Casoy, Maria de Lourdes Mônaco Janotti, Sandra Schamas, Yvonne Capuano.

Roteiro e entrevistas: Heloísa de A. Duarte Valente e Marta de Oliveira Fonterrada

São Paulo: Realejo Filmes, 2013.

Por motivos relacionados a direitos autorais, a difusão deste material permanece restrita, até que se possa adotar uma solução técnica para tanto.


Uma vereda tropical: a suave e morna batida do bolero memória e nomadismo da canção hispânica no Brasil.

Esta investigação retomou um projeto iniciado sobre a canção hispânica que teve larga presença entre as décadas de 1940 e 1960. Mais particularmente, estudou-se o bolero, um gênero-canção que chegou ao Brasil por intermédio do México, bem como sua presença e repercussão na cultura brasileira. Reitera-se aqui o ponto de partida: o conceito de "canção das mídias" como elemento ativo e de forte presença na cultura. Em sua transformação contínua, ou "nomadismo" — no dizer de Paul Zumthor —, a canção expressa, informa, corrobora e apresenta traços da cultura à qual faz referência e se vincula. Tendo como base inicial o repertório discográfico difundido em programas de rádio, além de depoimentos, analisaram-se aspectos tais como:1) As relações entre audiência e memória, a partir do repertório executado nos programas radiofônicos; 2) O impacto da permanência de artistas divulgadores da canção de origem estrangeira (sobretudo hispânica) e o surgimento de vertentes abrasileiradas nas mídias locais; 3) As canções presentes nas mídias como elemento constituinte das histórias de vida e do cotidiano do cidadão comum no Brasil, sobretudo nas capitais metropolitanas; 4) Peças de repertório incorporadas à paisagem sonora brasileira por intermédio do rádio e, posteriormente, da televisão.

Destaca-se como resultado principal:

Uma vereda tropical...: A presença da canção hispânica no Brasil

Heloísa de A. Duarte Valente, Raphael F. Lopes Farias e Simone Luci Pereira (orgs.)

São Paulo: Letra e Voz, 2020.

ISBN: 978-85-93467-30-1


A canção romântica italiana: Paisagem sonora, consumo cultural e imaginário do Brasil nos anos de chumbo.

É notória a contribuição da cultura italiana no Brasil e, particularmente, na cidade de São Paulo, sobretudo no início do século XX e após a II Guerra Mundial — período em que se estabelece e se projeta internacionalmente o Festival de Sanremo. Este projeto de pesquisa inventariou e analisou a música proveniente da Itália que obteve sucesso expressivo no período compreendido entre 1960 e 1975, época em que a canção internacional, sobretudo a italiana, dominava as paradas de sucesso e de vendagem. Para tanto, tomou como fontes de investigação, além da bibliografia, o repertório discográfico executado em programas de rádio e televisão e depoimentos. Dada a sua relevância e completude, selecionamos o acervo pessoal — sobretudo discográfico e audiovisual — pertencente ao cantor, radialista e produtor Filippo d’Anello (Dick Danello). O projeto consiste em três subprojetos, e a pesquisa partiu de uma lista dos sucessos mais executados e solicitados pelos ouvintes do programa Parlando d’amore, produzido e apresentado por Danello, para proceder à catalogação e à análise das canções. A referência teórico-metodológica baseia-se nos critérios de análise propostos pelo musicólogo Christian Marcadet. O resultado principal do projeto foi o livro:

A canção romântica no Brasil dos “anos de chumbo” Paisagens sonoras e imaginário na cultura midiática

Heloísa de A. Duarte Valente (org.)

São Paulo: Letra e Voz, 2018.

ISBN: 978-85-93467-13-4


Sous le ciel de Paris, memória e nomadismo da canção francesa no Brasil:

Este projeto diz respeito à canção francesa e às suas importantes repercussões na cultura brasileira. Tal temática, contudo, ainda não havia sido alvo de estudos acadêmicos consistentes. Mais particularmente, este estudo dedicou-se àquilo que se convencionou denominar "canção romântica". Delimitamos a investigação ao período entre o final da década de 1930 e o término da década de 1970, época em que a canção internacional de matriz europeia perde destaque, dando lugar aos gêneros rock e pop de língua inglesa, bem como aos repertórios regionais que surgem fora do eixo Rio-São Paulo. Partimos dos conceitos de "canção das mídias" e "nomadismo" para analisar como a canção expressa, informa, corrobora e apresenta traços da cultura à qual faz referência e se vincula. Tendo como base inicial o repertório discográfico difundido em programas de rádio, além de depoimentos, analisaram-se aspectos tais como: 1) As relações entre audiência e memória musical; 2) O impacto da permanência de artistas divulgadores da canção de origem francófona (sobretudo francesa) e o surgimento de "versões brasileiras" lançadas pelo mercado fonográfico local; 3) Como esse segmento de canções se faz presente no cotidiano do cidadão comum, sobretudo nas capitais metropolitanas. O resultado principal foi a publicação do livro:

Sous le ciel de Paris : a presença da canção francesa no Brasil.

Heloísa de A. Duarte Valente e Raphael F. Lopes Farias (orgs.).

Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2024.

Disponível em:
http://seloppgcomufmg.com.br/colecoes/sous-le-ciel-de-paris/

EM ANDAMENTO


Tell me once again: Memória e nomadismo das canções dos Brazilian singers.

Este projeto parte de pesquisas preliminares iniciadas há vários anos e diz respeito à canção brasileira composta com letra em inglês. Expressiva em vendagem, mas não prestigiada pela intelligentsia — como ocorreu com o repertório contemporâneo representado pelo Tropicalismo, pela canção de protesto e pelos epígonos da denominada MPB —, esta produção gozou de grande popularidade. A despeito disso, o tema ainda não foi alvo de estudos acadêmicos exaustivos nos termos aqui propostos.

Esta nova etapa dedica-se àquilo que se convencionou denominar "canção romântica da década de 1970", surgindo justamente quando os gêneros rock e pop de língua inglesa já dominavam a paisagem sonora e a indústria fonográfica atingia seu apogeu. Entre canções estrangeiras, sobretudo italianas, despontava um repertório cantado em inglês por artistas nacionais cuja identidade era camuflada como estadunidense. Partimos do conceito de "canção das mídias" (Valente, 2003) para analisar como a canção expressa, informa, corrobora e apresenta traços da cultura à qual faz referência e se vincula.

Objetivos:

Com base no repertório discográfico e audiovisual difundido em programas de rádio e televisão, além de depoimentos, pretendemos analisar: • Os pressupostos estéticos e comerciais concebidos pelo mercado fonográfico local ao criar esse subgênero; • As repercussões no imaginário do público receptor ao entender os artistas locais como estrangeiros; • As relações entre audiência e memória musical.

Problemática da pesquisa:

• Como este segmento de canções presente nas mídias participava do cotidiano do cidadão comum, sobretudo nas capitais metropolitanas?

• Que elementos intrínsecos da composição contribuem para a aceitação da canção em inglês?

• Como a estética do cover e de uma identidade inventada interferiram na concepção estética de períodos posteriores?

Resultados propostos:

1. Livro contendo os resultados dos subprojetos;

2. Publicação de dossiê em revista especializada;

3. Documentário em vídeo (30 a 50 minutos) com depoimentos de entrevistados;

4. Série de podcasts;

5. Comunicações em congressos e promoção de um encontro científico dedicado ao tema.

OUTROS PROJETOS EDITORIAIS

Música e Mídia: novas abordagens sobre a canção.

Heloísa de A. Duarte Valente (0rg.). São Paulo: Via Lettera; FAPESP, 2008.

ISBN: 9788576360330

Acreditando que o fruto das reflexões e debates do grupo devem ser compartilhados com a comunidade científica e demais interessados no assunto, o MusiMid publicou, em junho de 2007, com apoio financeiro da FAPESP, a primeira obra coletiva, assinada por participantes do Grupo e convidados do Conselho Consultivo.

O Brasil dos Gilbertos: Notas sobre o pensamento (musical) brasileiro.

Heloísa de A. Duarte Valente e Ricardo Santhiago (orgs.). São Paulo: Letra e Voz, 2011.

ISBN: 978-85-62959-18-9

O livro reúne comunicações orais de mesas redondas apresentadas no 4º Encontro MusiMid: O Brasil dos Gilbertos: Gilberto Freyre, João Gilberto, Gilberto Gil e Gilberto Mendes (2008).

Madrigal Ars Viva 50 anos: Ensaios e memórias.

Heloísa de A. Duarte Valente (org.). São Paulo: Letra e Voz, 2011.

ISBN: 978-85-62859-20-2

Como sugere o título, o livro contém ensaios de autores acadêmicos, muitos deles participantes do Madrigal, além de memórias de cantores e pessoas que acompanharam suas atividades.

Entre gritos e sussurros: Os sortilégios da voz cantada.

Heloísa de A. Duarte Valente e Juliana Coli (orgs.) São Paulo: Letra e Voz, 2012.

ISBN: 978-85-62959-26-4

Este livro é uma coletânea de textos coligidos a partir dos debates ocorridos por ocasião da 3ª Jornada MusiMid: Os sortilégios da voz cantada (2011).

A música como negócio: Políticas públicas e direitos de autor.

Heloísa de A. Duarte Valente, Rosália Maria Netto Prados, Cristina Schmidt (orgs.). São Paulo: Letra e Voz, 2014.

ISBN: 978-85-62959-32-5

Este livro reúne, em formato textual, debates realizados durante a 4ª Jornada MusiMid sob título homônimo (2011).

Com Som Sem Som: Liberdades políticas, liberdades poéticas.

Heloísa de A. Duarte Valente e Simone Luci Pereira (orgs.). São Paulo: Letra e Voz, 2017.

ISBN: 9978-85-93467-00-4

Este livro é fruto dos debates realizados por ocasião o 10º Encontro MusiMid, sob o mesmo título (2014).

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