MÚSICA: MEMÓRIA DA CULTURA

Considera-se que, a princípio, a música é linguagem autônoma, sem vínculos diretos com o objeto de referência. A despeito disso, os processos socioculturais tendem construir associações simbólicas em torno das obras musicais. Tais construções são resultantes de um processo que se desenrola, não raro, na longa duração. Gêneros, fórmulas rítmicas, aspectos relacionados à sonoridade (timbre, espacialização etc.), agrupados, são capazes de criar o som (Cf. Delalande) de uma época. O som de uma época, os sons da música constituem signos de memória. Dessa forma, a presença na paisagem sonora, contribui para a permanência e a longevidade dos signos, ao mesmo tempo em que estes signos (as peças musicais), enquanto estáveis, constroem a memória – especialmente a canção das mídias. Esta linha se orienta pelo estudo a partir da análise das obras em suas múltiplas formas de registro (fonográficas, audiovisuais, impressas etc.) bem como na metodologia da história oral.