O objetivo principal do Grupo MusiMid é desenvolver projetos de pesquisa e oferecer cursos e oficinas em diversos níveis (universitário, de extensão universitária, pós-graduação ou livres) por meio de subprojetos, promovendo, para isso, reuniões regulares entre seus membros. Tendo em vista que, em muitas situações, a obtenção de dados é dificultosa devido à falta ou inexistência de fontes, faz-se necessário confeccioná-las de diversas maneiras. Foi justamente dessa necessidade que surgiram os eventos MusiMid.
Desde que se constituiu formalmente em 2003, o Grupo vem promovendo atividades internas, palestras e encontros acadêmicos em vários formatos. Dentre os convidados que já participaram dessas atividades, incluem-se estudiosos de notório saber nas áreas acadêmica e artística, bem como profissionais da música e de áreas correlatas.
Nesse cenário, destaque especial têm os Encontros Internacionais de Música e Mídia. Eles surgiram da necessidade de implementar estudos interdisciplinares envolvendo a música, a mídia e suas circunstâncias, contando sempre com a participação de especialistas convidados para dar o aporte teórico necessário ao tema em pauta. Além disso, os eventos oferecem a oportunidade de participação para pessoas externas ao Grupo, seja como panelistas ou ouvintes.
O 1º Encontro realizou-se em 2005, sob o tema As múltiplas vozes da cidade, e foi apenas o primeiro de mais de vinte eventos ocorridos anualmente. Além desses Encontros, que têm duração de três dias, também realizamos os Debates MusiMid e as Jornadas, de menor duração. À exceção do 1º Encontro, todos os textos foram publicados em CD-ROM. Ressalvando-se poucos itens extraviados devido a sinistros, todos os materiais encontram-se disponíveis digitalmente nesta página (na aba Eventos), e o registro audiovisual pode ser acessado nas plataformas YouTube e Spotify.
Atualmente, o MusiMid conta com um Conselho Consultivo composto de pesquisadores de notório saber que prestam apoio fundamental em caráter colaborativo. Os participantes do Grupo também se encontram disponíveis para oferecer consultoria, cursos e oficinas de formação em diversos níveis: universitário, de extensão universitária, pós-graduação ou cursos livres.
Os temas estudados no âmbito do Centro englobam várias frentes de atuação. Dentre elas, destacam-se: a performance, o corpo do músico e suas diversas mediações ao longo da história; o papel da tecnologia nos processos da comunicação poética; a concepção de instrumento musical e sua interpolação com as diversas mídias sonoras existentes ou obsoletas (microfone, amplificação, alta-fidelidade); as variações dos padrões de escuta e de gosto propiciadas pela introdução das diferentes mídias sonoras (os diferentes estágios da evolução tecnológica); a paisagem sonora e a transformação sofrida pelo meio ambiente acústico em determinado contexto socio-histórico-cultural, bem como suas consequências no que toca à formação de novos padrões estéticos; as múltiplas interfaces da linguagem musical com outras linguagens artísticas e outras mídias; a música na mídia como elemento de memória cultural e musical; os cruzamentos possíveis de gêneros (fusão, crossover, hibridismo, mestiçagem, entre outros); as relações entre criação artística, público, políticas culturais e criação de padrões estéticos; a canção das mídias ante o mundo contemporâneo (globalizado) e suas questões de identidade e vínculo afetivo; a constituição de valores estáveis na era do efêmero; e a música em seu papel crucial como elemento privilegiado da indústria do entretenimento.
A canção, independentemente de sua natureza, é um compósito de música e letra. Considera-se que, a princípio, a música é uma linguagem autônoma, sem vínculos diretos com o objeto de referência. A letra, por sua vez, expressa, denotativa ou conotativamente, uma intenção e uma mensagem específica, dependendo da natureza da canção. Esta linha ocupa-se, em especial, do universo simbólico dos diversos gêneros de canção e de sua transfiguração no tempo.
A canção, independentemente de sua natureza, é um compósito de letra e música. Tanto uma como outra tendem a passar por transformações no tempo e no espaço, de modo a permanecerem existentes (como memória). Assim, a canção passa por processos de ressignificação. Nesse processo (o nomadismo), a capacidade de transmutação — a “movência” — é o que garante a longevidade dos signos. Esta linha tem como meta estudar os diferentes processos de nomadismo na canção e suas diversas implicações.
Toda música é resultado de uma combinação de signos que se aglutinam, traduzem, sobrepõem e transformam ao longo de toda a história. Esse processo, denominado hibridação ou mestiçagem, que sempre existiu, intensificou-se a partir das Cruzadas. Ocorre que, com o surgimento das mídias, as interpenetrações aumentaram em variedade e em número, passando a se dar em escala planetária e em um lapso de tempo mais breve. Esta linha estuda os diversos níveis de hibridação na canção midiática.
A princípio, toda música é mediatizada de alguma maneira: desde sua forma de fixação (papel, meios eletromagnéticos etc.). A partir desses registros, é possível conceber o desenvolvimento da linguagem musical e seu percurso histórico por meio da performance e das partituras. Esta linha de pesquisa dedica-se ao estudo das relações entre a obra fixada em suporte e suas possibilidades de performance.
A música pode ser considerada, desde o surgimento das mídias, a linguagem a mais presente na vida cotidiana. Por meio de alto-falantes em toda parte, a paisagem sonora é permeada por signos sonoros que, na maioria das vezes, são eleitos por um número reduzido de pessoas: os agentes das companhias fonográficas (majors). Em que medida a escuta desse repertório interfere nos hábitos de audição e no processo cognitivo, e como a atribuição de sentido pelas mediações culturais ocorre, são as questões que guiam esta linha de pesquisa.
Por meio do estudo das diversas abordagens semióticas já difundidas ou em desenvolvimento, busca-se reunir elementos que permitam compreender todas as circunstâncias ligadas à composição, à performance e à difusão da música nas mídias. O objetivo é delinear as características particulares da música mediatizada tecnicamente, de maneira a possibilitar a análise de sua transmutação no tempo e no espaço. Destaquem-se as relações entre corpo e performance, e entre mídia e tecnologia, como elementos de recomposição.