O MusiMid teve sua origem em 2001, durante o XIII Encontro Nacional da Anppom (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música), em Belo Horizonte, quando se reuniu, pela primeira vez, o GT Música e Mídia. A partir de 2003, o Grupo passou a se encontrar semanalmente para a exposição e discussão de projetos de pesquisa particulares, estudos de temas específicos e oficinas, além de sessões de escuta. Para além dessas atividades internas, o MusiMid vem promovendo diversas atividades acadêmicas e artísticas, com destaque especial para os Encontros de Música e Mídia.
O Centro de Estudos em Música e Mídia (MusiMid) reúne uma equipe multidisciplinar que inclui, além de estudantes, músicos e musicólogos, especialistas com interesse voltado à música e suas implicações com as mídias. Entendida como sistema de significação, a linguagem musical exerce um papel importante na construção dos signos da vida cotidiana. Nesse sentido, as pesquisas do MusiMid têm como perspectiva o estudo das diversas situações em que a linguagem musical, em suas variadas modalidades e manifestações no processo comunicativo, interage na formação de textos artísticos e culturais.
Pretende-se analisar, entre outros aspectos, como os signos musicais constituem sistemas e processos em relação ao eixo tempo-espaço; como atuam no campo social, tendo por referência as mídias (televisão, disco, rádio etc.); como são produzidos, transmitidos e armazenados; e que tipos de efeitos podem gerar em seus intérpretes e receptores. Nesse ponto, são referências importantes não apenas as teorias musicológicas, mas também as da cultura e da mídia, as ciências humanas em geral, a informática, a acústica (organologia, psicoacústica) e áreas relativas aos estudos do corpo e da voz (fonoaudiologia, foniatria, fonética e neurociências).
Vinculado ao Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) entre 2007-2013 e, desde 2013 ao programa de pós-graduação em Comunicação da Universidade Paulista (UNIP), o MusiMid já recebeu a visita de destacados teóricos, artistas e pesquisadores de renome nacional e internacional. O Grupo mantém contato com os principais centros de pesquisa no país e no exterior, a fim de propiciar um diálogo amplo e interdisciplinar nas diversas áreas em que a linguagem musical participa ativamente do processo comunicativo e, por conseguinte, da produção sociocultural e histórica, dialogando com associações das áreas de Comunicação (CISC, Intercom, ALAIC), Semiótica (ABS, IASS, CEO) e Música (ABMUS, Anppom, ABET, ICMS, IASPM, INET-md).
Ainda que não constitua uma linguagem universal, a música encontra-se presente na imensa maioria das culturas. Quer se trate da música composta para ser executada em situações rituais, quer se trate da chamada música pura (ou absoluta), destinada à sala de concertos, a música demonstra ter sempre exercido papel importante nas diversas sociedades.
Na cultura de tradição europeia, sobretudo a partir do final do século XIX, as modalidades de linguagem musical passaram a desdobrar-se em outras variantes, constituindo linguagens específicas. Isto se deve ao surgimento dos aparelhos que possibilitaram a captação, fixação, amplificação e transmissão do som à distância. De fato, o surgimento do disco e do rádio promoveria mudanças de natureza tal que transformariam o século XX num momento ímpar em todos os tempos: pela primeira vez na história, tornou-se possível o armazenamento do som no tempo e no espaço. É o momento em que surgem, sucessivamente, as canções populares urbanas, o rock, os jingles publicitários, as trilhas sonoras do rádio, da telenovela e do filme, e ainda os temas de abertura de programas no rádio, cinema e televisão. Esta nova paisagem sonora passa a compor, paulatinamente, a trilha sonora da vida das pessoas em praticamente todas as situações rotineiras. Dito de outro modo, a música que passa pelas mídias constrói a cultura de uma vida cotidiana; reciprocamente, as práticas musicais da vida cotidiana também selecionam os elementos musicais que fixam os repertórios como memória cultural (a médio prazo e na longa duração). Assim, é possível concluir que música é informação e, como tal, música é (também) cultura.
É importante enfatizar que todo um século de música mediatizada gerou um repertório vastíssimo, que ainda não está totalmente organizado. Parte dele encontra-se esparso e outro segmento enclausurou-se em recônditos às vezes inatingíveis, como certas coleções particulares e acervos raros.
De outra parte, a fonofixação (gravação) no disco fez potencializar o caráter comercial dos signos musicais, sobretudo o da canção. De poderoso pivô do centro de poder econômico até a derrocada do sistema, quase um século após o surgimento das “majors”, a música não se fixa mais sobre suportes materiais “palpáveis” e “visíveis” ao adentrar o mundo telemático. Com o surgimento dos programas de inteligência artificial, um novo panorama se descortina, impondo questões profundas de natureza ética e estética (o original e o copiado, o respeito a direitos autorais etc.).
O século XXI irrompe com o crescimento das formas híbridas nas linguagens artísticas e formas expressivas cada vez mais complexas de pensamento, oriundas de uma cultura digital e das redes. No entanto, ao que parece, o legado do mundo da tecnologia analógica ainda não foi suficientemente assimilado teórica e culturalmente. As pesquisas do MusiMid têm, dentro de suas preocupações, o objetivo de estudar a presença, a função e a participação da música nesse universo.
O objetivo principal do Grupo MusiMid é desenvolver projetos de pesquisa e oferecer cursos e oficinas em diversos níveis (universitário, de extensão universitária, pós-graduação ou livres) por meio de subprojetos, promovendo, para isso, reuniões regulares entre seus membros. Tendo em vista que, em muitas situações, a obtenção de dados é dificultosa devido à falta ou inexistência de fontes, faz-se necessário confeccioná-las de diversas maneiras. Foi justamente dessa necessidade que surgiram os eventos MusiMid.
Desde que se constituiu formalmente em 2003, o Grupo vem promovendo atividades internas, palestras e encontros acadêmicos em vários formatos. Dentre os convidados que já participaram dessas atividades, incluem-se estudiosos de notório saber nas áreas acadêmica e artística, bem como profissionais da música e de áreas correlatas.
Nesse cenário, destaque especial têm os Encontros Internacionais de Música e Mídia. Eles surgiram da necessidade de implementar estudos interdisciplinares envolvendo a música, a mídia e suas circunstâncias, contando sempre com a participação de especialistas convidados para dar o aporte teórico necessário ao tema em pauta. Além disso, os eventos oferecem a oportunidade de participação para pessoas externas ao Grupo, seja como panelistas ou ouvintes.
O 1º Encontro realizou-se em 2005, sob o tema As múltiplas vozes da cidade, e foi apenas o primeiro de mais de vinte eventos ocorridos anualmente. Além desses Encontros, que têm duração de três dias, também realizamos os Debates MusiMid e as Jornadas, de menor duração. À exceção do 1º Encontro, todos os textos foram publicados em CD-ROM. Ressalvando-se poucos itens extraviados devido a sinistros, todos os materiais encontram-se disponíveis digitalmente nesta página (na aba Eventos), e o registro audiovisual pode ser acessado nas plataformas YouTube e Spotify.
Atualmente, o MusiMid conta com um Conselho Consultivo composto de pesquisadores de notório saber que prestam apoio fundamental em caráter colaborativo. Os participantes do Grupo também se encontram disponíveis para oferecer consultoria, cursos e oficinas de formação em diversos níveis: universitário, de extensão universitária, pós-graduação ou cursos livres.